Ensaio sobre a ditadura atual - Ao som de Gil e Caetano
Como num insight, uma inesperada lucidez, e juro (talvez de dedos cruzados) que não havia nenhuma droga ilícita envolvida, apenas alguns encontros de idéias e de repente a frase: "A liberdade que nos dão é justamente o que nos faz calar!", continuei: " Ou melhor, a sensação dessa falsa liberdade nos satisfaz e ficamos calados, imóveis, cada um em seu falso adorável mundinho". E expliquei: Vivemos um quadro de ditadura, não dá pra dizer se melhor ou pior, mas a verdade é que a situação chegou a tal ponto e simplesmente continuamos sentados em frente a televisão diante do bombardeio de banalidades, violências, alienações e não fazemos absolutamente nada. Vivemos nas ruas uma ditadura sim, não imposta pelo governo militar, mas sim pela violência que nos oprime o tempo todo e pelo sistema (capitalista) que nos engole. E sem nos darmos conta, nós mesmos aos poucos, estamos nos censurando, à nós, ao povo. Há pouco tempo atrás criticamos os metroviários de São Paulo pela greve "Abusiva". Acontece que a greve é um direito do trabalhador, que lá trás foi conquistado. Mas o sistema chegou a tal ponto, que como nos sentimos prejudicados pela greve, ou seja ela nos incomoda, simplesmente a criticamos, nos tornando assim os próprios censuradores, sem nos darmos conta, que não precisará de muito tempo, e os trabalhadores perderão ao poucos e lentamente (esse é o segredo deles) o direito de fazer greve. Sou argumentada de que recebem bem. Quem recebe bem??? Os metroviários? Sim recebem bem diante do resto de toda uma classe de miseráveis, e é por isso que insisto que o sistema chegou a tal ponto que justificamos um erro com outro. Não é porque o metroviário ganha mais que o cobrador de ônibus, que ele ganha bem. Não. E está no seu direito de reclamar benefícios salariais sim. Mas não era dos metroviários que queria falar e sim do domínio, da manipulação, da maneira como somos controlados o tempo todo sem nos darmos conta. Perguntei ao meu argumentador o que o faria ir para as ruas hoje? Silêncio. Silêncio esse que fala o quanto esses atos parecem radicais demais e barulhentos, e sem fundamento. Então propus? E se por exemplo o prefeito da cidade de São Paulo decretasse que todas as salas de espetáculos teatrais deveriam fechar as portas a partir de amanhã? O que você faria? Ficaria recluso em seu canto e tentaria não se envolver? Ou compraria essa causa, nem que isso tivesse como causa envolvimentos com a polícia, com o governo e até necessidade de exílio? A resposta? Entraria de peito aberto nessa briga! E eu digo por que, porque é uma situação de opressão explícita e reagiríamos por sobrevivência, mas quando a opressão é implícita e lenta é ao mesmo tempo corrosiva e aos poucos, devagarzinho vai acabando com tudo que nos resta. Ou será que a realidade teatral em São Paulo está muito distante da hipotese aqui citada? Aparentemente sim né?. Mas a verdade é que se rala muito para sobreviver como artista em São Paulo, e colocar um espetáculo em cartaz então, nem se fale.
Chante rossignol, chante!

Chante rossignol, chante
Cante, rouxinol, cante

Na fonte límpida
M'en allant promener
Fui passear
J'ai trouvé l'eau si belle
A água era tão linda
Que je m'y suis baigné
Que resolvi me banhar

Il y a longtemps que je t'aime
Vou te amar eternamente
Jamais je ne t'oublierai

Jamais te esquecerei


Sous les feuilles d'un chêne,
Sob o carvalho
Je me suis fait sécher
Enquanto eu me secava
Sur la plus haute branche,
No galho mais alto A la claire fontaine,

Un rossignol chantait
Um rouxinol contava

Chante rossignol, chante,
Cante, rouxinol, cante
Toi qui as le cœur gai
Seu coração feliz está
Tu as le cœur à rire,
Seu coração quer sorrir
Moi je l'ai à pleurer
O meu quer chorar

J'ai perdu mon amie,
Perdi o meu amor
Sans l'avoir mérité
Sem merecer
Pour un bouquet de roses,
Por um buquê de rosas
Que je lui refusais
Que lhe neguei

Je voudrais que la rose,
Eu queria que a rosa
Fût encore au rosier
Ainda estivesse no galho
Et que ma douce amie
E que o meu amor
Fût encore à m'aimer
Ainda gotasse de mim

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